O que é Neurofisiologia?

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O que é Neurofisiologia?

2018-03-30T17:50:24+00:0030/03/2018|

Uma série de conhecimentos predefinidos que estuda o sistema nervoso (SN), a neurofisiologia clínica é uma das vertentes das neurociências. Seu principal objetivo é estudar o SN na sua dimensão funcional, com base em noções neuroanatômicas, neurofisiológicas e clínicas. Tal estudo tem propósitos diagnósticos, terapêuticos e de monitoração das funções do sistema nervoso através de procedimentos que envolvem os sistemas nervoso central e periférico.

 

No que consiste a neurofisiologia clínica?

Subespecialidade da neurologia, a neurofisiologia clínica consiste no uso de exames de diagnóstico que buscam avaliar respostas do sistema nervoso central (SNC) e do sistema nervoso periférico (SNP). Os exames aplicados identificam tipos e locais da lesão. Essa busca é feita de forma detalhada, por meio da análise e medição das funções elétricas do cérebro, da medula espinhal, nervos periféricos e da placa neuromuscular. As duas grandes fontes da análise da neurofisiologia clínica são o SNC e o SNP. Desconstruindo:

 

SNC – conjunto do encéfalo e da medula espinhal que recebe informações relacionadas aos cinco sentidos (audição, visão, paladar, olfato e tato). Todos os comandos dos músculos e das glândulas são oriundos do sistema nervoso central.

SNP – composto por nervos (mistos, motores e sensitivos), gânglios nervosos e órgãos terminais, que se organizam em plexos e funções.

 

Popularmente, pouco se sabe sobre a neurofisiologia clínica, já que é uma área da ciência médica mais reclusa. Contudo, ela está presente em procedimentos clínicos mais comuns, como o eletroencefalograma, registro da atividade elétrica cerebral dado a partir de eletrodos colocados no couro cabeludo. O eletroencefalograma é realizado desde o fim da década de 1920 e é um dos mais eficazes procedimentos na detecção da atividade cerebral elétrica anormal.

Outros procedimentos menos conhecidos são eletroneuromiografia e monitorização intra-operatória.

 

Eletroneuromiografia

Também conhecida pela sigla ENMG, a eletroneuromiografia é um procedimento clínico que estuda a função do sistema nervoso periférico e muscular por meio da gravação de respostas elétricas geradas pelos sistemas, detectadas por meio de gráficos produzidos num eletroneuromiógrafo.

 

Como é o procedimento?

  1. Análise dos nervos periféricos: a partir de impulsos elétricos que registram as respostas dos nervos selecionados para estudo (potencial de ação), analisados pelo neurofisiologista clínico. Daí então, são comparadas as respostas de tais nervos com o lado contralateral, tendo como base os valores padronizados de referência de cada nervo.
  2. Análise dos músculos: feita com o uso de eletrodos de agulhas pequenas, inseridos nos músculos para obter um registro da atividade elétrica muscular, tanto em seu estado estático quanto durante a contração.

 

Qual é o propósito?

O principal propósito da eletroneuromiografia é estudar a velocidade da condução elétrica (feita a partir dos impulsos) e o estado de cada unidade motora. Com esse estudo, é possível identificar lesões no sistema nervoso periférico e muscular, localizando-as e quantificando-as de acordo com os resultados dos gráficos. Daí então, o médico consegue diagnosticar o paciente e direcionar o melhor tipo de patologia – axonal, desmielinizante ou mista – e seu tempo de evolução – aguda ou crônica.

Quais as indicações?

A eletroneuromiografia é um exame de grande utilidade em caso de mononeuropatias traumáticas, síndrome de Túnel do Carpo, polineuropatias axonais – causas por diabetes, álcool e vasculites -, síndrome de Guillain-Barré, paralisias faciais, poliomielite, atrofia muscular espinhal, esclerose lateral amiotrófica, herpes zoster, ataxia de Friedreich, neuropatia sensitiva hereditária, hérnias discais e tumores, plexos nervosos, miastenia gravis, distrofias, síndromes miotônicas e miopatias congênitas, metabólicas ou adquiridas.

 

Procedimento

A eletroneuromiografia é realizada por médicos com especialização em neurofisiologia clínica. Sua execução é laboriosa, detalhista e depende de um eletroneuromiógrafo, aparelho específico que verifica a velocidade da condução elétrica e o estado das unidades motoras.

No primeiro estágio, denominado ‘estudo da neurocondução’, pequenos impulsos elétricos são aplicados no braço ou na perna do paciente. Essa ação determina como os nervos estão conduzindo correntes elétricas e seu estado. Essa resposta é obtida a partir da colagem de eletrodos na pele do paciente, e os impulsos são suportáveis e seguros.

No segundo estágio, denominado eletromiografia, são utilizadas agulhas que têm como utilidade descobrir se houve alguma lesão que dificulta a condução de impulsos elétricos pelos nervos, ou se a doença é advinda do próprio músculo. Os estudos variam de 4 a 6 músculos por extremidade.