Agulha Concêntrica ou Monopolar: história, características e principais diferenças

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Agulha Concêntrica ou Monopolar: história, características e principais diferenças

2020-04-14T09:23:10+00:0013/04/2020|

As últimas décadas foram marcadas por um acelerado avanço da tecnologia, que trouxe mudanças profundas em todas as áreas e aspectos da vida humana. No ramo da Neurofisiologia Clínica, naturalmente, não foi diferente. Diversos equipamentos utilizados para exames neurofisiológicos foram profundamente impactados ao ganhar notórias melhorias, possibilitando procedimentos mais seguros, confiáveis e de maior qualidade.

Mas hoje falaremos sobre as agulhas, que são os sensores responsáveis pela captação do sinal elétrico durante um procedimento de Eletromiografia (EMG). Talvez a agulha seja o componente mais crítico de um processo de registro. Entretanto, elas permanecem praticamente os mesmos tipos de agulhas em suas composições desde a época em que foram introduzidas ao mercado, há aproximadamente 100 anos. 

Dentro do universo da Eletromiografia, existem basicamente dois tipos de agulha que você neurofisiologista certamente já conhece: a Agulha Monopolar e a Agulha Concêntrica.

Mesmo apresentando características diferentes, existe uma dúvida clássica que permanece, ainda hoje, acesa entre médicos e acadêmicos: “Existe um tipo de agulha mais recomendado para determinado procedimento? Quais as diferenças entre a Agulha Concêntrica e a Agulha Monopolar?”

De imediato, podemos afirmar: os dois tipos de agulhas apresentam vantagens e desvantagens nos procedimentos. E para compreendê-las, primeiramente, devemos buscar pelas especificidades e diferenças de cada uma delas. 

Para isto, realizamos abaixo um compilado com as principais características de cada produto.

Agulha Monopolar

História: Foi introduzida ao mercado em 1949 pelo neurologista canadense Hebert Henry Jasper (Prêmio Albert Einstein de Ciência) e sua dupla de pesquisa, Gwen Ballem, e logo ganhou tom mais popular. 

Materiais: São feitas de aço inoxidável com variação de 26 a 70mm. O corpo é coberto por uma camada de teflon isolante, com as pontas livres para a aplicação e consequente captação do sinal; são bem pontiagudas, em formatos cônico ou bisel (corte inclinado). Traz ainda uma camada de silicone que reduz a fricção entre a agulha e o tecido biológico, o que facilita a penetração e diminui o desconforto no paciente. 

Aplicação: A Agulha Monopolar (eletrodo ativo) é inserida o mais próximo possível da área de interesse, e seu eletrodo de referência (eletrodo de superfície) é posicionado próximo ao eletrodo ativo, ambos não distantes do eletrodo terra.

A Agulha Concêntrica

História: Criada em 1929 pelos ingleses Edgar Douglas Adrian (Prêmio Nobel de Fisiologia) e DW Bronk (respeitado professor e pesquisador), foi pioneira.

Materiais: Consiste basicamente de um eletrodo de referência (a cânula) e um eletrodo ativo (o núcleo), geralmente feitos de aço inox. O diâmetro externo da cânula tem geralmente de 0.35 a 0.70mm, e do núcleo de 0.1mm. O núcleo contém ainda material isolante, o que garante que as duas partes de metal (eletrodos) permaneçam eletricamente isoladas. A ponta da agulha tem forma elíptica plana, e é geralmente aplicada em um ângulo de 15 graus.

Aplicação: O registro é realizado com a inserção da Agulha Concêntrica o mais próximo possível da área de interesse. O eletrodo terra (de referência) deve ser posicionado relativamente próximo à agulha.

Agora que compreendemos as principais características de cada uma das agulhas, podemos compará-las e refletir acerca de seus principais diferenciais.

As principais diferenças entre os eletrodos de Agulhas Monopolar e Concêntrica:

 

  • A área de captação: a área de captação da agulha monopolar é representada por sua ponta inteira, de aproximadamente 0,34 milímetros, enquanto na concêntrica a área de gravação fica restrita a face plana do núcleo, que tem em torno de 0,07 milímetros.

 

  • Tamanho dos potenciais de ação: a Agulha Monopolar registra os potenciais de ação de unidade motora, que acontecem entre o eletrodo ativo e o eletrodo de referência de no mínimo 1cm². Portanto, capta a atividade de um grupo maior de fibras musculares, quando comparado com a captação do eletrodo concêntrico; onde o eletrodo ativo e de referência são de pequenos tamanho e encontram-se próximos um do outro.

 

  • Ângulo de gravação: o eletrodo de agulha monopolar capta em ângulo de 360 graus a partir da ponta do eletrodo; ou seja, grava a atividades em todas as direções a partir da ponta. Já o eletrodo concêntrico, registra em ângulo de aproximadamente de 180 graus.

 

  • Particularidades: as razões anteriormente comentadas mostram que o eletrodo monopolar amplia a área de captação e é mais sensível para registrar os fenômenos eletromiográficos. Os eletrodos concêntricos, são mais específicos nas análises dos potenciais registrados.

 

  • Sensibilidade: um outro fator não menos importante, é a melhor tolerância à dor por parte do paciente, no caso do uso dos eletrodos monopolares quando comparados aos eletrodos concêntricos.

 

  • Qualidade: e por último, uma consideração final em relação ao tema relacionado à qualidade dos materiais e a tecnologia aplicada na fabricação dos eletrodos, que são fatores determinantes no registro eletromiográfico. A comparação é válida apenas, obviamente, em eletrodos de qualidades similares, sejam agulhas monopolar ou concêntrica.

Conclusão:

Tanto a Agulha Monopolar quanto a Agulha Concêntrica apresentam características distintas, com vantagens e desvantagens a depender do objetivo do procedimento.

Porém, vale ressaltar que a escolha do eletrodo parece estar relacionado principalmente ao treinamento e à preferência pessoal dos profissionais envolvidos; uma vez que são estes que deverão explorar os potenciais e minimizar as limitações de cada uma das agulhas, para assim alcançar o resultado desejado naquele determinado procedimento.